sábado, 8 de janeiro de 2011

Céu Amargo.

Não sei onde estou. Não vejo nada além de sombras ao meu redor. Tento me mover; percebo que estou acorrentada.
Ouço um gemido de dor baixo, vindo da minha esquerda. Olho rapidamente, e percebo que é um garoto.
Ele estava da mesma forma que eu: acorrentado.
- Olá? – Tentei chamar sua atenção.
Ele fingiu não me ouvir.
- Não ligue para ele. – Disse uma voz à minha direita. – Ele não fala. Se nega a falar.
Virei-me o máximo possível na direção da garota – o que, levando em conta a minha situação, não era muito – e perguntei quem ela era.
- Sou o oposto dele. Pergunte quem ele é, e então vai saber quem sou.
- Ele não me diz quem é!
- Então, não saberá quem sou. Contente-se com isso, Bellatriz.
Voltei à posição original, completamente irritada. Além de não saber onde estou, não posso saber quem são essas pessoas ao meu lado?
- Este é o terceiro círculo, ou, como o anjinho caído ali prefere dizer, a parte negra do Céu.
Encarei a garota.
- Como?
- Ah, você me ouviu. Não me faça repetir. Você já sabe onde está. Agora, fique quieta. Não quero que meu pai, ou os irmãos dele, saibam que estamos aqui. Aliás, o que você faz aqui?
- Não sei. – Fui sincera com ela.
- Como não sabe?
- Não sei. Simplesmente não sei. – Respondi novamente.
Encarei o garoto, e ele olhava para algo muito além da escuridão.
As correntes começaram a me apertar; olhei para minha direita, e aparentemente as correntes da garota estavam fazendo o mesmo que as minhas.
Olhei para a esquerda, e a mesma coisa acontecia com ele.
Comecei a me sentir sufocada, e era capaz de jurar que havia espinhos naquelas correntes, e que estes espinhos estavam entrando em mim.
Respirei fundo, e aguardei até o último segundo. Não daria o primeiro grito.
A menina gritou, e então o garoto. Só neste momento, onde a dor era insuportável – uma força que não ouso explicar – eu gritei. Gritei com todas as minhas forças. Gritei tão alto, que podia jurar que minha garganta estava sangrando.
Comecei a tossir, e percebi que da minha boca saía um líquido vermelho.
Meu sangue.
Olhei para os lados, e me vi sozinha.
Agora, sentia, além de uma dor insuportável, o calor das labaredas de fogo que cresciam ao meu redor.
Via sombras dentro do fogo, mas nenhuma delas olhava para mim.
Exceto por uma.
Acho que era a sombra da garota que estava acorrentada comigo, mas dessa vez, ela estava com um sorriso de escárnio, e nos seus olhos bruxuleavam um tom de vermelho do qual jamais esquecerei.
As chamas continuavam a subir, e eu continuava a gritar. Mesmo que minha garganta estivesse sangrando; mesmo que minha mente gritasse para eu implorar por morte, eu não pararia de gritar.
- BELLATRIZ! – Ouvi alguém me chamar.
- BELLATRIZ! – Não conseguia responder.
- BELLATRIZ! – Dessa vez, eram várias vozes, e elas estavam próximas.
- BELLATRIZ! – Consegui me livrar daquele torpor que me impedia de responder.

- Bella, anda! Você vai perder o avião. – Percebi que aquelas vozes que eu ouvia eram apenas meus irmãos me chamando. Minha mãe estava na porta do meu quarto, esperando com minha mala pronta.
Ela iria viajar, portanto, eu ficaria em Nova York, na casa de meu pai, por cerca de três meses. Apenas o tempo das férias escolares e mais algumas semanas.
Levantei preguiçosamente da cama, e segui na direção do roupeiro.
Havia apenas algumas peças, por isso peguei a primeira que vi: uma calça jeans e um vestido Colcci– uma famosa grife brasileira.
Para ir à NY, estava perfeito.
Levaria uma parca, caso esfriasse muito durante o vôo.

- O que você estava sonhando hoje, maninha? Foi difícil acordar você. – Minha irmã mais nova, Meredith, perguntou dentro do táxi, enquanto íamos para o aeroporto e enquanto ela mexia na minha franja.
- Nada, meu bem. – Lhe respondi.
Meredith tem apenas seis anos. Ela é um amor de garota, se você souber como lidar com ela. É a minha irmã preferida.
Dith – o apelido de Meredith – é muito esperta para sua idade. Com seus cachinhos negros e seus olhos acinzentados, você pode jurar que ela vê muita coisa além do que você pode ver.
- Não era o que parecia, Bella. Você estava gritando... Você dizia: “tirem-me daqui! Por favor! Não quero ficar aqui!”, até que mamãe acordou e fomos lá tentar acordar você.
Encarei-a.
- Dith, você sabe que meus sonhos são muito particulares. Desculpe meu bem, mas você é jovem demais para ouvi-lo.
Meredith fechou a pequena carinha de fada, e não olhou mais para mim a viagem de táxi toda.

Uma Princesa na Terra - Prólogo.

Nota: história original e de minha autoria.


Não podia esperar mais nada além do que eu já sabia.
Que história é essa de guerra?
Céu? Inferno?
Não são conceitos de penalidade-pós-morte?
Como eles podem fazer parte de mim?
Pior...
Como eu posso fazer parte deles?

Descobertas.

Notas: História - Eterno
Avisos - A maioria dos personagens aqui apresentados são de minha autoria. A história é baseada nos livros de Meg Cabot - A Mediadora.
Fanfiction sem fins lucrativos e de minha autoria.

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Capítulo 1 - Descobertas

Clair estava deitada em sua cama, esperando o sono chegar. O relógio denunciava ser meia-noite, e o céu estava anormalmente estrelado; lançava um luz sinistra sob a cama da garota ruiva, que esperava pacientemente pegar no sono.
Um barulho anormal interrompeu a calmaria da noite. Clair despertou rapidamente, tremendo, e olhou freneticamente pelo seu quarto. Pensou ter visto uma sombra que não pertencia a ninguém, mas olhando na direção dela, percebeu que devia ser apenas sua imaginação.
"Devo estar muito cansada mesmo." - pensava ela.
Respirando fundo, a ruiva voltou a tocar sua cabeça no travesseiro, mas agora, ao invés de fechar os olhos, ela resolveu olhar para as estrelas - as estrelas, que tanto a fascinavam desde criança, as estrelas, nas quais ela procurava resolver mistérios. As estrelas, tão cheias de mistérios! - e esperar calmamente seu sono vir.
Após algum tempo, ela adormeceu.
A sombra, que Clair pensava ter visto, voltou. E ficou a observando dormir...

São apenas histórias.

Muitos me dizem estas palavras quando eu falo que "escrever é minha vida".
São apenas histórias. São apenas palavras. É apenas um passatempo.
Muitos - eu diria todos, na verdade - esperam que eu seja uma professora, uma arqueóloga ou historiadora.
Eles esperam que eu tenha uma profissão que me dê estabilidade financeira.
É óbvio que escritora não está exatamente incluído na "estabilidade financeira" deles.
Ser escritora não é apenas colocar palavras na sua vida; é colocar a sua vida nas palavras.
Não sei se estas pessoas que me dizem para ser "alguém com estabilidade financeira e um emprego de verdade" vão aceitar que eu seja escritora nas horas vagas. Mas, como escritora, tenho que aprender a ser independente. Tenho que acreditar nas minhas histórias, mesmo que elas não acreditem em mim.
Céus, é difícil.
Mas nunca disse que dar vida às palavras é fácil.
E eu vou começar por aqui.
Fanfics, histórias, projetos... Todos estes eu vou postar aqui.
Tenho que começar a escrever, e tenho que postar em algum lugar.
E é aqui que vou começar.
E nunca vou terminar.